Teia de aranha

Alguma vez já parou para pensar em que tipo de “aparelho” você precisaria para deixar sua vida mais simples e fácil? Eu sim. Acho que se tivesse talento suficiente para inventá-los com toda certeza seria multimilionária, depois de ser falida, é claro, pois a quantidade de dinheiro que usaria para financiar, comprar os “ingredientes” (não achei palavra melhor), pagar possíveis ajudantes, seria enorme.

 Caso você, querido leitor, tenha lido isto e pensado: Desisto de ser dançarino/músico/escritor/cientista/pesquisador/ator/equalqueroutraprofissãoqueprecisedeinvestimentosdefora. Eu digo: Acalme-se, no desespero e vontade de seguir um sonho fazemos de tudo e sim, conseguirá patrocínio. Como diria os ingleses “keep calm and carry on”.

 Agora, perdão aos que não pensaram naquilo, simplesmente precisava abri tal “parênteses”. Fiquei com medo de desestimular a pessoa, e nem de longe essa é minha intenção. Continuando, estava há alguns minutos atrás viajando em meio as minhas ideias, cada hora me encontrava com uma linha de reflexão diferente, as primeiras mais comuns levaram a outras incrivelmente complexas. Elas iam crescendo, crescendo e crescendo mais uma vez, como uma aranha tecendo sua teia deixando-a aos poucos maior e mais forte, cheguei a pensar que explodiria de tão longe que fui tendo de início uma coisa bobinha e sem sal.

 Quando o relato ocorrido acima aconteceu, estava lavando os cabelos. Talvez a massagem indireta que fiz na tentativa de limpá-los tenha ativado minhas conexões “intelectuais”. Elas me fizeram chegar à seguinte conclusão: A invenção, perfeita, que realmente mudaria minha vida seria um “decodificador de pensamentos”.

 Ele seria responsável por ler o que passa pela minha cabeça e o que quero que ele guarde, sua função consistiria em após de “escutar” anotaria em um papel cada palavra que falei em silêncio. Usaria excessivamente, nem sempre os locais onde estou quando surgem os sons dentro da minha mente me permitem escreve-los, por exemplo, banho, nos momentos em que estou deitada para dormir, ou relaxando sem papel por perto.

 São poucas as vezes que consigo escrever cada sílaba corretamente como havia visualizado mentalmente antes, e as anteriores às marcadas no papel eram tão mais bonitas, tão mais naturais. Poderia até usar o artifício de um gravador, mas não gosto, as palavras que faço são para serem sentidas através dos olhos ou do tato, quando faladas são menos “potentes”, soam bem, porém é a voz de alguém e não a voz do texto que é a principal.

 Parece coisa de maluco, não? Mas as melhores soluções vêm de maluquices, até hoje tivemos vários exemplos, um deles é o avião. Se você tem uma, invista nela, não a deixe voar para longe, amarra uma correntinha e diz que é sua. Caso algum aspirante à cientista tenha gostado da ideia a caixa de mensagens está ai, mande sua mensagem e dividimos a patente. ♥

                                                                 
                                            Eduarda Vaz 

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Primeiro dia de aula


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 Pi pi pi, toca o despertador. Minha vontade é desligá-lo como na outra manhã, no entanto sento na cama e sinto o primeiro frio na barriga do dia “É hoje”. Escovo os dentes e decido tomar um banho “Dá tempo, acordei cedo, tenho que ir ao menos apresentável hoje” penso. Começo a me arrumar, arco ou presilha? Preso ou solto? Trança ou rabo de cavalo? Será que alguém vai reparar? Ahh, vou com ele solto, sem nenhum detalhe, qualquer coisa eu faço uma trança na hora. Como e escovo os dentes mais uma vez, imagina: alguém fala comigo e eu com o hálito do café? Péssimo começo seria…

 Olho minha mochila e me lembro do lugar onde costumava usá-la, que saudade que já estou dele, não adianta negar. Saio de casa e viro a esquina, de relance percebo que o ônibus está ali parado, faltam apenas 2 pessoas para subir. Corro como uma doida para não ficar para trás. Sento na poltrona ao lado da janela, e começo com as minhas “neuras” “Estou arrumada demais? Ou de menos? Os alunos dessa nova escola são fechados demais? Ou receptivos? Ou metidos?  Será que vão gostar de mim? Vai ter alguém com quem conversar hoje? Vou fazer amigos? Onde deve ser o banheiro? E o bebedouro? Se eu tiver esquecido a borracha, quem vai me emprestar?”

 O ônibus pára, desço. Respiro fundo, tomo coragem, me encaminho para o portão de entrada, dois passos e estou dentro de um “mundo” totalmente novo e diferente do meu costume, lembro dos meus amigos, queria-os aqui comigo. Procuro minha turma no papel pregado à parede, é a 2. Escuto e vejo uma menina sorrindo pra mim e se apresentando, se chama Laura, “Graças a Deus, alguém falou comigo!” suspiro. Me leva até as amigas dela, me tratam bem, super simpáticas. Passo o dia falando pouco e sorrindo muito, vai ser assim até eu me acostumar, de qualquer forma o pior já passou, consegui, aqui estou. Piiii toca o sinal da saída, sinto um alívio, volto para casa feliz sobrevivi ao primeiro dia de aula.

                                                                                                       Eduarda Vaz