Sexo frágil? Impossível!

nowEla é aquela que luta pelos seus direitos. Aquela que um dia sofreu repressão e julgamentos pelo simples fato de existir, mas que independente disto não desistiu. Que é determinada. Enfrenta os desafios descalça ou com salto alto da mesma maneira, com classe.

É aquela que exala naturalidade pelo jeito como se senta, anda, corre, e dança. Ela é a menina que acreditava em finais felizes quando pequena, e que agora sabe que todo o início, meio e fim depende dela. É a que sonha enquanto dorme, e age quando acorda.

É a garota que quando sorri verdadeiramente não é apenas com os lábios, mas também com os olhos. Sabe que mais vale a vírgula à reticência. Antes a pausa que o prolongamento da dúvida.

Aquela que é forte na palavra, expressão corporal e ação. Que presta atenção nos outros e no que faz. Sabe do seu potencial, não precisa que um outro chegue e diga quem é ela ou o que deve fazer. Consegue e se valoriza antes de qualquer coisa.

É a que acalma e cuida. E também a que estressa e pira, por uma simples e repentina mudança de humor. A que pontua pela mera respiração, ora ofegante, ora tranquila. É a viva intuição. A que ri mesmo não tendo corpo e coração em harmonia. Que chora quando sentimentos grandes e fortes demais dela querem sair.

É a sinceridade no jeito que mexe e prende o cabelo. No jeito que pára e presta atenção. No jeito que grita e extrapola. No jeito que pede e deseja. No que conduz e que de vez em quando se deixa ser conduzida.

Mulher. E tem gente que ainda coragem tem de dizer: “É o sexo frágil!” Impossível concordar. A única coisa “frágil” que existe é tal estereótipo fraco e falso criado em cima dela, com o motivo de ter um.

Mulher. Mujer. Femme. Woman. Frau. Donna. Kvinna. Seja qual for a língua, ou representação ela é a verdade.

                                                                                                              Eduarda Vaz

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Escolho o “sim”

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 O papel está em sua frente, a caneta disposta sobre ele. Já se passaram mais de três dias e a única coisa que ela consegue fazer é olhá-lo, nessa hora já era para estar no correio, no entanto continua intacto, em branco, vazio.

Ela, no fundo, sabe muito bem quais as palavras deveriam e devem, em algum momento, marcá-lo. Até porque pensou e sonhou vezes incontáveis com elas.

Ao invés de escrever “naquele”, vai narrando em outro nesse momento. As únicas coisas que se escutam é o barulho do ventilador e do coração disparado. Olha mais uma vez para o que com toda certeza mudará sua vida. Ainda não se sabe se conseguirá alcançar o objetivo, mas que no mínimo mudará seu jeito, desejos… ahh isso sim.

Enquanto admira a folha, vai deixando as palavras saírem na que está em sua mão. Quais os motivos de não ter continuando? Ela sabia a resposta. Era medo. Palavra que consta no dicionário como “Terror, susto, pavor, receio”. Para a garota era bem mais que isto. Algo tão grande que até vergonha de tê-lo sentia. Porque isto? Porque medo de dar mais dois passos em direção ao que sempre quis ter?

Não sentia borboletas no estômago, e sim um verdadeiro tornado que levava quase tudo, deixando apenas para trás a insegurança que tinha e tem consigo mesma.

Qual será a resolução disto? Até agora não achou. Perdeu-se em meio aos seus pensamentos, mas logo após voltou e se localizou. De repente, no trajeto de reencontro a sua ideia anterior se lembra de uma amiga e sua frase que a marcou: Você já nasce com o não. Analisou e viu que ela estava certa em partes.

Quando uma pessoa nasce, ela vem ao mundo com um único “sim”, o da vida, e diversos outros “não”. “É o “querer” superar cada “não” já imposto que faz cada um amadurecer e crescer”. Ela pensou. Sua resposta estava ali. Decidiu-se. Superaria o medo, a bendita insegurança, o “não” e tentaria o “sim”.

Termina sua reflexão/desabafo, descansa o lápis. Pega a caneta. Sussurra. “Que eu alcance o sim”. E começa.

Eduarda Vaz

Madrugada adentro.

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São duas da manhã e ela ainda não conseguiu dormir. No dia seguinte terá que acordar cedo para ir à escola, mas o sono não vem, por mais que esteja cansada. O único motivo para não conseguir se deixar levar pelo conforto do travesseiro e sonhos é a recordação.

 Vira para um lado, revira para o outro. E nada é o suficientemente bom. Nada tira aquelas lembranças, que cismam de voltar com ainda mais intensidade em noites calmas como esta, de sua cabeça e muito menos de seu coração.

Ela fecha os olhos e apela pelo último meio: contar carneirinhos. Um carneirinho pulou a cer… Isso não adianta. O carneirinho ao pular a cerca a lembrava de liberdade e ao mesmo tempo de rotina (contraditório não?). Queria ser livre como o carneiro e poder decidir como atravessar o que atrapalhava seu caminho, por outro lado essas tentativas tinham viradas rotineiras assim como o carneiro que é acostumado a “pular”. É, ela realmente não estava bem. Percebe-se isso ao olhar a comparação que acabou de fazer.

Porque ainda se sentia tão ligada a relações antigas? A momentos passados? Já era para ter se desligado há semanas, ou melhor, meses, quase há um ano, no entanto até agora não conseguiu. Tentou por dias, enquanto a tristeza estava em seu ponto mais forte, encontrar o botão do “off”. “Ele existia?” Ela pensou, pois não o achou em lugar algum.

No início somente fatos ruins acontecidos vinham como flashes, nas horas em que estava com a cabeça “livre”. Era melhor, porque ao se lembrar sentia raiva, sentimento mais fácil de controlar. O grande problema é a raiva passa e ela passou. Deixou em seu rastro apenas os carinhos sinceros que uma vez recebeu, as palavras doces a quais lhe foram sussurradas, as brincadeiras sem sentidos a quais lhe foram feitas. Saber que esse tempo tinha se passado, e quem participou dele também, deixava-a com saudades. Era o problema de sua insônia, sentir falta demais do que e quem em algum instante lhe foi o melhor. Fazia com que ficasse feliz e triste. Feliz por saber que teve alguém que lhe deu atenção e que se importava com seu jeito e gostos. Alguém que a fez sorrir e ri, e principalmente amadurecer, mesmo que indiretamente. Triste por ter se apegado. Por não querer deixar ir quem um dia já foi.

Três da manhã, as pálpebras começam a pesar mais. Seus olhos fecham e abrem, mas é uma tarefa que exige muita força. Chegou a conclusão que as recordações sempre ficarão, que são delas. Independente da vontade de querer sufocá-las, não faria isso. É preciso saber conviver com o passado, saber aceitá-lo. Amar e viver a época em que está, o presente. Dorme, mas antes diz: Quem sabe a gente se esbarre por aí no futuro, foi bom o que aconteceu, só que ficou para trás. Boa noite!

Eduarda Vaz

Inspirado num texto que li por aí.

Mau agouro? Nunca!

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É engraçada a visão que muitas pessoas – infelizmente – têm da leitura. Falam que é chata, uma “perda de tempo”, que não leva a nada, e por aí vai…

Outro dia estava à praia, sentada sob a sombra do meu guarda-sol com um exemplar de J.K. Rowling à mão. Eis que escuto

– Oh a empada! Da praiaaaa! Oh a empada! Empadinha passando!

Eu amo empadas, decidi comprar uma e chamei o vendedor.

– Moço! Mooço! Aqui.

Ele vem na minha direção, quando chega ao invés de me perguntar “Qual o sabor? Tem frango, palmito, bacalhau, queijo, frango com catupiry, camarão…” o ser me diz.

– Oh dona, desse jeito tu vai atrair é chuva.

Segui a direção de seus olhos que apontavam diretamente para minhas mãos, com um jeito de reprovação. E quem estava lá era o meu livro – sim, meu livro não é um “objeto”, pra mim, e sim uma pessoa linda, por isso o “quem“-. Isso me deu uma raiva, primeiro ele me chamou de “dona”. Como? Se eu tenho só 16. Dona é a mãe dele. Segundo que da maneira como disse parecia que ler à praia fosse um mau agouro! Como se eu estivesse cometendo um crime: o de tirar o sol dali, apenas por estar me divertindo com a história escrita naquelas páginas. Senti-me ofendida e logo rebati.

– Desse jeito você que não vai atrair cliente, passar bem… bem longe de mim.

O vendedor saiu de perto resmungando. Não estou nem aí. Quem mandou falar mal? Ai, ai, ai. Eu acho que é ali é local onde se pode fazer de tudo, contanto que respeite o ambiente e que não seja perigoso. É uma área para relaxar, ser feliz. Cada um tem um jeito de obter descanso, paz diferente e o meu é esse, lendo.

Continuei no capítulo em que havia parado, o sol continuou forte e brilhoso o tempo que permaneci lá. No fim quem se deu mal foi o vendedor com seu comentário ruim e sem pensar.

                                                                        Eduarda Vaz

Cinzas de Saudade

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É quarta-feira de cinzas, e mais um carnaval se despede, mais um vai embora. É engraçado pensar que a palavra “embora” foi derivada da expressão “em boa hora”, mas na situação da folia brasileira é bem o contrário! A maioria queria que essa festa continuasse por meses a fio.

Sorrisos, risadas, suor, samba, frevo, axé, maracatu, marchinhas, fantasias, Rei Momo, bonecos de Olinda, escolas de samba, bloco de rua, trio elétrico, cultura de diversas localidades juntas criando uma identidade para o país.
Independente das diferenças todos têm o mesmo objetivo que é curtir, ser feliz e, principalmente, livre.

É a época de se soltar, acreditar que naquele feriado você pode jogar todo o estresse de trabalho, escola, e pessoal fora. Ser o que, ou quem quiser (do bem!). Momento de se inventar, de soltar a imaginação e viajar – tanto no sentido figurado quanto no literal -. E de até mesmo ironizar uma situação existente. O Brasil inteiro pára para aproveitar, para se alegrar.

Já com um clima de saudades me despeço agora desse carnaval, e aguardo ansiosamente o próximo. Se você que não se deixou levar pela a energia deste, faltam apenas 381 dias para o seguinte. Com certeza terá tempo suficiente para planejar o local aonde ir, e a fantasia que vestir (ou não, vai do gosto). Enfim, não arranje desculpas e caia na diversão!!

                                                                                                       Eduarda Vaz      

Primeiro dia de aula


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 Pi pi pi, toca o despertador. Minha vontade é desligá-lo como na outra manhã, no entanto sento na cama e sinto o primeiro frio na barriga do dia “É hoje”. Escovo os dentes e decido tomar um banho “Dá tempo, acordei cedo, tenho que ir ao menos apresentável hoje” penso. Começo a me arrumar, arco ou presilha? Preso ou solto? Trança ou rabo de cavalo? Será que alguém vai reparar? Ahh, vou com ele solto, sem nenhum detalhe, qualquer coisa eu faço uma trança na hora. Como e escovo os dentes mais uma vez, imagina: alguém fala comigo e eu com o hálito do café? Péssimo começo seria…

 Olho minha mochila e me lembro do lugar onde costumava usá-la, que saudade que já estou dele, não adianta negar. Saio de casa e viro a esquina, de relance percebo que o ônibus está ali parado, faltam apenas 2 pessoas para subir. Corro como uma doida para não ficar para trás. Sento na poltrona ao lado da janela, e começo com as minhas “neuras” “Estou arrumada demais? Ou de menos? Os alunos dessa nova escola são fechados demais? Ou receptivos? Ou metidos?  Será que vão gostar de mim? Vai ter alguém com quem conversar hoje? Vou fazer amigos? Onde deve ser o banheiro? E o bebedouro? Se eu tiver esquecido a borracha, quem vai me emprestar?”

 O ônibus pára, desço. Respiro fundo, tomo coragem, me encaminho para o portão de entrada, dois passos e estou dentro de um “mundo” totalmente novo e diferente do meu costume, lembro dos meus amigos, queria-os aqui comigo. Procuro minha turma no papel pregado à parede, é a 2. Escuto e vejo uma menina sorrindo pra mim e se apresentando, se chama Laura, “Graças a Deus, alguém falou comigo!” suspiro. Me leva até as amigas dela, me tratam bem, super simpáticas. Passo o dia falando pouco e sorrindo muito, vai ser assim até eu me acostumar, de qualquer forma o pior já passou, consegui, aqui estou. Piiii toca o sinal da saída, sinto um alívio, volto para casa feliz sobrevivi ao primeiro dia de aula.

                                                                                                       Eduarda Vaz